Polícia
Citação nazista em post da PM-BA expõe contradições e racismo estrutural na base da corporação
Após repercussão negativa, Academia da Polícia Militar apagou publicação com frase de general de Hitler.
A publicação de uma frase do general nazista Erwin Rommel pela Academia da Polícia Militar da Bahia, na última quarta-feira (7), gerou indignação nas redes sociais e culminou em um pedido oficial de desculpas por parte da corporação. A citação — “Suor poupa sangue, sangue poupa vida, e cérebros poupam ambos” —, atribuída ao militar da Alemanha de Hitler, apareceu no “pensamento do dia” divulgado pelo perfil institucional da academia, responsável por formar oficiais da PM-BA.

Nazista Erwin Rommel / Reprodução
Diante da repercussão negativa, o post foi rapidamente apagado e substituído por uma mensagem de Madre Teresa de Calcutá. Em nota, a Polícia Militar da Bahia repudiou o conteúdo e afirmou que já adotou as providências administrativas cabíveis. O comando também destacou que “qualquer manifestação em desacordo com os princípios democráticos e constitucionais não representa o pensamento institucional”.
O caso, no entanto, abre espaço para uma reflexão mais profunda. A escolha de exaltar um militar do regime nazista não pode ser tratada como apenas um “erro isolado”, principalmente em uma instituição cuja tropa é composta, em sua maioria, por homens negros oriundos das camadas populares. Segundo levantamentos extraoficiais, estima-se que cerca de 80% do efetivo da PM na Bahia seja composto por negros. Como conciliar esse dado com a disseminação de um pensamento oriundo de um regime que exterminou milhões e se baseava na supremacia racial?

Mais do que um equívoco pontual, o episódio evidencia um tipo de contradição que está na base da formação de muitos agentes públicos: o racismo estrutural que permeia discursos, decisões e olhares — inclusive no ambiente policial.
Não à toa, a repercussão da frase nazista se soma a outras situações alarmantes, como o caso recente do soldado J. França, policial militar da própria Bahia, acusado de envolvimento na Operação Falsas Promessas, foi “reconhecido” apenas pela cor da pele e pela camiseta preta que usava em um vídeo de baixa qualidade.
Na decisão judicial que autorizou medidas contra o PM, a “prova” visual foi considerada suficiente — ignorando traços físicos e morfológicos incompatíveis com o verdadeiro autor da ação.
A suposição de que “todo preto se parece” saiu da boca do senso comum e entrou nos autos de um processo como se fosse uma análise técnica. O que sempre foi preconceito agora ganha verniz de legitimidade?
A sociedade brasileira vive hoje uma encruzilhada: ou enfrenta de forma transparente o racismo institucional, inclusive dentro das forças de segurança, ou continuará produzindo injustiças sob o manto da legalidade e da “neutralidade técnica”. O erro da academia da PM não é um caso isolado. É sintoma. E, como todo sintoma, exige diagnóstico e tratamento urgente.
Polícia
Moraes manda investigar Flávio Bolsonaro
STF abre inquérito para apurar possível injúria contra Lula em publicação nas redes sociais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a instauração de um inquérito para investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão tem como objetivo apurar se o parlamentar cometeu crime de injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma postagem publicada nas redes sociais.
A medida foi adotada após análise preliminar do conteúdo divulgado, considerado potencialmente ofensivo à honra do chefe do Executivo. O inquérito buscará esclarecer o teor da publicação, o contexto em que foi feita e se houve intenção de atingir a dignidade do presidente, conforme prevê a legislação penal brasileira.
De acordo com especialistas em direito, o crime de injúria ocorre quando há ofensa direta à honra subjetiva de uma pessoa, podendo resultar em sanções legais caso seja comprovado. No caso envolvendo um agente público e um presidente da República, o episódio ganha ainda mais relevância institucional e jurídica.
Nos bastidores políticos, a decisão do STF repercute de forma significativa, intensificando o debate sobre os limites da liberdade de expressão de parlamentares nas redes sociais. A investigação também levanta discussões sobre responsabilidade digital e o uso de plataformas como ferramenta de posicionamento político.
O senador ainda poderá apresentar sua defesa ao longo do processo, enquanto o inquérito seguirá os trâmites legais sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. O caso deve permanecer em evidência no cenário político nacional nos próximos dias.
Polícia
Anvisa proíbe versões irregulares do Mounjaro
Lotes suspeitos de falsificação são apreendidos e acendem alerta sobre riscos à saúde

A Anvisa proibiu, nesta quinta-feira (2), a comercialização e o uso de versões consideradas irregulares do medicamento Mounjaro, utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e que ganhou popularidade recente por seu uso associado ao emagrecimento.
A medida inclui a apreensão de lotes suspeitos, entre eles o D856831 do Mounjaro e os lotes D880730 e D840678 do Mounjaro Kwikpen, produtos que, segundo as autoridades, não possuem procedência confirmada. A ação visa proteger a população diante do risco de consumo de medicamentos potencialmente falsificados.
De acordo com a farmacêutica Eli Lilly, responsável pela fabricação do produto original, foram identificados fortes indícios de falsificação nas unidades apreendidas. A empresa reforçou que apenas medicamentos adquiridos por canais oficiais garantem segurança e eficácia no tratamento.
A Anvisa alerta que o uso de versões irregulares pode trazer graves consequências à saúde, uma vez que não há garantia sobre a composição, dosagem ou condições de armazenamento desses produtos. O órgão orienta pacientes a verificarem sempre a origem dos medicamentos e a buscarem orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento.
O caso reforça a preocupação crescente com a circulação de medicamentos falsificados no país, especialmente aqueles de alta demanda. A fiscalização será intensificada para coibir a venda ilegal e proteger os consumidores, segundo informou a agência reguladora.
Polícia
Prefeitura de Feira investe R$ 9 milhões em segurança escolar
Contrato prevê modernização do controle de acesso nas unidades da rede pública municipa

A Prefeitura de Feira de Santana, por meio do Fundo Municipal de Educação (FME), firmou contrato para a modernização do sistema de controle de acesso nas escolas da rede pública municipal. O investimento total é de R$ 9 milhões, com foco no reforço da segurança e na gestão de entrada e saída de alunos, servidores e visitantes.
A empresa responsável pela execução do serviço é a TC Monitoramento de Segurança Ltda, sediada no próprio município. O contrato foi formalizado após processo licitatório, com a proposta vencedora sendo selecionada conforme os critérios estabelecidos no edital.
De acordo com as informações disponíveis, a empresa possui um capital social de R$ 4 milhões, valor inferior ao montante total do contrato firmado com o poder público. O dado chama atenção no contexto administrativo, já que contratos desse porte costumam exigir capacidade técnica e financeira compatível com a execução dos serviços.
O projeto prevê a implantação de tecnologias modernas para o controle de acesso, incluindo sistemas eletrônicos de identificação e monitoramento, com o objetivo de aumentar a segurança nas escolas e otimizar a gestão do fluxo de pessoas nas unidades educacionais.
A iniciativa ocorre em meio a uma crescente demanda por medidas de proteção no ambiente escolar, impulsionada por episódios recentes em diferentes regiões do país. A expectativa da gestão municipal é de que a modernização contribua para um ambiente mais seguro e organizado para alunos, professores e funcionários.
Especialistas em gestão pública destacam que investimentos em segurança escolar são essenciais, mas ressaltam a importância da transparência e da fiscalização rigorosa dos contratos, garantindo que os recursos públicos sejam aplicados de forma eficiente e dentro dos parâmetros legais.
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