Política
Sanções contra Moraes ganham força nos EUA, diz secretário de Trump
Marco Rubio afirma que há “grande possibilidade” de aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF, acusado de perseguir oposição no Brasil

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou nesta quarta-feira (21) que o governo Trump avalia seriamente aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Lei Global Magnitsky — instrumento jurídico que permite aos EUA punir estrangeiros por corrupção ou violações graves de direitos humanos.
A fala foi feita durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes americana, em resposta a um questionamento direto do deputado republicano Cory Mills, da Flórida. Mills acusou o STF de “perseguir a oposição, jornalistas e cidadãos comuns”, citando a iminente prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro como exemplo de repressão política.
“Isso está sob análise neste momento e há uma grande possibilidade de que isso aconteça”, respondeu Rubio ao ser questionado sobre a possibilidade de sanções a Moraes com base na legislação norte-americana.
A Lei Magnitsky, aprovada em 2012, autoriza medidas como bloqueio de bens, congelamento de contas e proibição de entrada nos EUA para pessoas acusadas de abusos de autoridade. As sanções, apelidadas de “pena de morte financeira”, atingem inclusive instituições e empresas que façam negócios com os alvos.
A ofensiva contra Moraes é impulsionada pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está residindo nos Estados Unidos desde março e articula apoio entre congressistas republicanos. A campanha bolsonarista também mobilizou o Comitê Judiciário da Câmara americana, que aprovou em fevereiro um projeto de lei para barrar a entrada de Moraes no país — ainda pendente de votação em plenário.
O movimento ocorre em meio à intensificação das investigações do STF sobre a tentativa de golpe para manter Bolsonaro no poder. O ex-presidente já é réu por cinco crimes, incluindo golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático e organização criminosa, podendo enfrentar até 43 anos de prisão em caso de condenação.
Além das sanções, os republicanos pedem que sejam revistos atos de Moraes como a suspensão do X (antigo Twitter), a inclusão de Elon Musk no inquérito das milícias digitais e as medidas contra plataformas como Rumble e Truth Social, vistas como ameaças à liberdade de expressão e à soberania digital dos EUA.
Política
Lula promete reenviar indicação ao STF
Presidente afirma que rejeição a nome para Suprema Corte teve motivação política e reforça defesa da prerrogativa constitucional do Executivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante agenda oficial em Sergipe, que pretende reenviar a indicação do advogado-geral da União para uma vaga na Suprema Corte. Segundo o chefe do Executivo, a decisão representa uma defesa da prerrogativa constitucional do presidente da República na escolha dos ministros do tribunal.
Durante o pronunciamento, Lula declarou que a rejeição ao nome indicado não ocorreu por falta de qualificação técnica, mas teria sido motivada por interesses políticos. O presidente reforçou que considera o indicado plenamente preparado para assumir o cargo na mais alta instância do Judiciário brasileiro.
A declaração intensificou os debates nos bastidores políticos e jurídicos sobre a relação entre Executivo e Legislativo, especialmente em torno do processo de aprovação de nomes para tribunais superiores.
Segundo Lula, a Constituição Federal assegura ao presidente da República a competência para indicar ministros da Suprema Corte, cabendo ao Senado Federal realizar a análise e votação do nome apresentado. O petista afirmou que a decisão de reenviar a indicação também busca reafirmar essa autonomia institucional prevista no sistema democrático brasileiro.
A fala do presidente ocorre em um momento de forte movimentação política em Brasília, com discussões sobre equilíbrio entre os poderes e critérios utilizados nas indicações para cargos estratégicos do Judiciário.
A repercussão do caso mobilizou lideranças políticas, parlamentares e especialistas do meio jurídico, ampliando o debate sobre independência institucional, articulação política e influência partidária em votações de alto impacto nacional.
Nos bastidores, aliados do governo avaliam que o reencontro da indicação poderá gerar novas negociações políticas no Congresso Nacional, além de ampliar a tensão entre grupos favoráveis e contrários ao nome defendido pelo Palácio do Planalto.
Política
Lula critica decisão dos EUA sobre PCC e CV
Presidente afirma que facções aterrorizam a sociedade brasileira, mas rejeita possibilidade de intervenção estrangeira no país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou nesta sexta-feira (29/5) sobre a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
Durante declaração pública, Lula afirmou estar preocupado com a repercussão da medida e criticou a possibilidade de interpretações que abram espaço para qualquer tipo de intervenção internacional em assuntos internos do Brasil.
“Estou muito triste hoje com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, declarou o presidente.
Apesar da crítica à posição norte-americana, Lula reconheceu o impacto das organizações criminosas dentro do país. Segundo ele, tanto o Primeiro Comando da Capital quanto o Comando Vermelho promovem terror dentro das comunidades brasileiras e representam uma ameaça direta à população.
O posicionamento do presidente ocorre após os Estados Unidos ampliarem o discurso de endurecimento contra organizações criminosas transnacionais. A decisão envolvendo as facções brasileiras provocou reações de diferentes autoridades políticas e especialistas em relações internacionais.
Lula destacou que o combate ao crime organizado deve ocorrer de forma coordenada entre os países, mas respeitando a soberania nacional. A fala reforça a posição do governo brasileiro contrária a qualquer possibilidade de interferência externa em temas de segurança pública interna.
O debate também reacende discussões sobre cooperação internacional no enfrentamento ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e atuação de facções criminosas com ramificações fora do Brasil.
Nos bastidores políticos, o tema ganhou força após autoridades brasileiras avaliarem possíveis impactos diplomáticos e econômicos da classificação anunciada pelos Estados Unidos.
Política
Jaques Wagner critica decisão dos EUA sobre PCC e CV
Senador afirma que classificação de facções como terroristas ameaça soberania nacional e defende integração das forças de segurança no Brasil

O pré-candidato ao Senado, Jaques Wagner, comentou nesta sexta-feira (29) a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. A declaração foi feita durante agenda pública ao lado do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, no bairro de Pernambués, em Salvador.
Para Wagner, a medida representa uma interferência indevida em assuntos internos do Brasil e pode ser interpretada como uma ameaça à soberania nacional. O senador destacou que o enfrentamento ao crime organizado deve respeitar os limites da cooperação internacional sem interferência na política interna dos países.
A decisão norte-americana envolve a classificação de organizações criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, como grupos terroristas, o que gerou reações de autoridades brasileiras.
Durante a entrevista, Wagner também comparou a atuação dessas facções à de milícias que operam em diferentes regiões do país, destacando o impacto da criminalidade organizada na segurança pública.
O parlamentar ressaltou ainda a importância de medidas estruturais para o enfrentamento ao crime, citando a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, que aguarda votação no Congresso Nacional. Segundo ele, o tema exige modernização e maior integração entre as forças policiais.
Wagner mencionou também discussões dentro do governo federal sobre a possível criação de um Ministério da Segurança Pública, proposta que, segundo ele, estaria sendo avaliada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de integrar inteligências das polícias civis, militares e da Polícia Federal.
A fala do senador reforça o debate sobre segurança pública e soberania nacional em meio à crescente pressão internacional sobre o combate ao crime organizado no Brasil.
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