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Brasil

Moraes banido: advogado explica o que isso realmente significa

Especialista em direito revela o peso da sanção americana e os riscos para a imagem do STF

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal - (Imagem: REUTERS/Adriano Machado)

A inclusão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na lista de sanções da Lei Magnitsky — anunciada nesta quarta-feira pelo governo dos Estados Unidos — gerou reações institucionais imediatas no Brasil. O STF afirmou, por meio de sua assessoria, que Moraes não possui bens nos EUA, tampouco intenção de visitar o país. No entanto, a tentativa de minimizar a medida ignora os impactos concretos e duradouros que essa sanção representa no plano internacional.

Segundo análise do advogado e consultor jurídico Odemilson Luz de Matos, especialista em Direito Público (PUC-MG) e Direito Processual Civil (UNIFACS), a sanção aplicada via Lei Magnitsky Global — criada para responsabilizar indivíduos por corrupção e violações de direitos humanos — vai muito além de medidas patrimoniais. Estar sob sanção da OFAC (Office of Foreign Assets Control), órgão do Departamento do Tesouro dos EUA, impede qualquer entidade sob jurisdição americana de realizar transações com o sancionado, o que restringe o acesso ao sistema financeiro internacional e causa isolamento jurídico e político.

“Mesmo que não haja ativos nos EUA, a restrição afeta conexões financeiras indiretas e compromete a atuação internacional do sancionado”, afirma Odemilson.

Ele destaca que Moraes, como ministro do STF, participa de eventos internacionais e mantém interlocução com universidades e fóruns jurídicos. Com a sanção, sua presença em solo americano fica proibida, o que implica isolamento institucional e restrição de influência acadêmica e diplomática.

A medida ainda pode desencadear ações semelhantes por parte de países como Reino Unido, Canadá e membros da União Europeia, ampliando o cerco institucional. Para Odemilson, “o impacto reputacional é profundo e a inscrição na lista da OFAC é pública e permanente, colocando o nome de Moraes ao lado de líderes acusados de autoritarismo e violações graves”.

Outro ponto importante levantado por ele é o efeito reflexo: a legislação americana permite sanções secundárias a pessoas ou instituições que se beneficiem das ações do sancionado, o que coloca em risco colaboradores, escritórios jurídicos e até instituições brasileiras com vínculos formais com Moraes.

Internamente, a imagem do Supremo também sai abalada.

“Um tribunal constitucional que tem entre seus membros alguém sancionado por violar direitos humanos perde legitimidade internacional, independentemente do reconhecimento jurídico formal dessas sanções pelo Brasil”, conclui o advogado.

A retórica de indiferença adotada pelo STF, embora compreensível no campo político, não anula os efeitos concretos das sanções internacionais. Como explica Odemilson Luz de Matos, a Lei Magnitsky é um instrumento moderno de responsabilização pessoal que opera com alta eficácia, mesmo em contextos de aparente distância geográfica ou financeira.


Escrito por:
Odemilson Luz de Matos
Advogado e Consultor Jurídico. Especialista em Direito Público (PUC-MG) e Direito Processual Civil (UNIFACS). Autor de diversos artigos científicos e obras jurídicas.

Redação Saiba+

Brasil

Moraes pede manifestação da PGR sobre Smart TV, pastor e livros para Bolsonaro

Defesa solicita Smart TV, remição de pena por leitura e assistência religiosa ao ex-presidente

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O ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro que está preso na superintendência da Polícia Federal. Foto: Wilton Junior

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira, 9, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, no prazo de cinco dias, sobre três solicitações apresentadas pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os pedidos envolvem o acesso a uma Smart TV, a participação no programa de remição de pena por leitura e a autorização para receber assistência religiosa durante o período em que permanece preso.

Segundo a defesa, a disponibilização de uma Smart TV permitiria que Bolsonaro acompanhasse conteúdos jornalísticos e informativos, considerados essenciais para manter o vínculo com a atualidade política e social do país. O equipamento seria fornecido pela própria família do ex-presidente.

Outro ponto destacado é a inclusão de Bolsonaro no programa de remição de pena por leitura, previsto na Lei de Execução Penal. A iniciativa possibilita a redução de dias da pena mediante a leitura de obras literárias e a entrega de relatórios avaliativos, prática já adotada em diversas unidades prisionais do país.

Além disso, os advogados solicitaram autorização para que Bolsonaro receba acompanhamento espiritual regular, indicando nomes de líderes religiosos responsáveis pelo atendimento. A defesa argumenta que o direito à liberdade religiosa deve ser plenamente assegurado, mesmo em contexto de custódia.

A decisão de Moraes reforça a necessidade de manifestação formal da PGR antes de qualquer deliberação sobre os pedidos, que têm gerado ampla repercussão política e jurídica.

Redação Saiba+

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Brasil

Moraes mantém prisão preventiva de Domingos Brazão, acusado de mandar matar Marielle

Decisão de Alexandre de Moraes reforça investigação sobre mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

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O conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão foi preso em 2024 pela Polícia Federal (PF), acusado de mandar matar a vereadora Marielle Franco. Foto: Câmara dos Deputado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira, 8, manter a prisão preventiva do conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão. Ele é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime que completou seis anos e segue mobilizando autoridades e a sociedade civil.

Na decisão, Moraes destacou a gravidade dos fatos investigados e a necessidade de preservar a integridade das apurações, considerando o risco de interferência no processo caso Brazão fosse solto. O ministro também ressaltou que a manutenção da prisão é fundamental para garantir a segurança de testemunhas e o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Domingos Brazão está afastado do TCE-RJ desde que seu nome passou a figurar entre os principais suspeitos de envolvimento no planejamento do crime. As investigações apontam para uma possível estrutura organizada por trás do atentado, o que reforça a importância de medidas cautelares rigorosas.

A decisão do STF representa mais um capítulo na busca por responsabilização completa dos envolvidos no assassinato que chocou o país e ganhou repercussão internacional. O caso segue em andamento, com novas diligências previstas para os próximos meses.

Redação Saiba+

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URGENTE: Lula veta PL da Dosimetria de forma integral

Decisão foi anunciada em cerimônia que marcou três anos dos ataques aos Três Poderes; Congresso analisará manutenção ou derrubada do veto.

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Lula já tinha adiantado que vetaria o PL da Dosimetria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, na manhã desta quinta‑feira (8), o veto integral ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, que previa a redução das penas aplicadas aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A assinatura do veto ocorreu durante uma cerimônia oficial organizada pelo governo para marcar os três anos dos ataques que resultaram na invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes, em Brasília. Segundo o governo, a decisão reforça o compromisso com a responsabilização dos envolvidos e com a defesa da ordem democrática.

Com o veto, o texto retorna ao Congresso Nacional, que terá a prerrogativa de manter ou derrubar a decisão presidencial. A análise será feita em sessão conjunta entre Senado e Câmara, em data ainda a ser definida. Parlamentares de diferentes bancadas já sinalizam articulações tanto para sustentar quanto para rejeitar o veto.

A medida reacende o debate político sobre os desdobramentos jurídicos dos atos de 8 de janeiro e sobre o papel do Legislativo na revisão de decisões que envolvem crimes contra o Estado democrático de direito.

Redação Saiba+

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