Brasil
Justiça do Trabalho caminha para novo recorde de ações em 2025
Setor de serviços lidera crescimento após decisão do STF que facilitou acesso à Justiça gratuita

O número de processos na Justiça do Trabalho segue em trajetória de alta e deve atingir, em 2025, o maior patamar desde a reforma trabalhista de 2017. Só entre janeiro e junho deste ano, já foram registradas 1,15 milhão de ações, contra 1,044 milhão no mesmo período de 2024. A projeção é de que os novos casos ultrapassem 2,3 milhões até dezembro, consolidando um novo recorde recente.
De acordo com dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em 2024 foram protocolados 2,1 milhões de processos, número que já representava o maior volume desde a reforma. O avanço é puxado principalmente pelo setor de serviços, que em 2024 concentrou 26,6% das ações trabalhistas, somando mais de 556 mil casos, ultrapassando pela primeira vez a indústria, tradicional líder nas estatísticas.
Decisão do STF mudou cenário
Especialistas apontam que a virada no volume de processos foi influenciada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2021, que derrubou trecho da reforma trabalhista. A norma exigia que empregados derrotados em ações pagassem honorários advocatícios e perícias, mesmo sendo beneficiários da Justiça gratuita.
Para o advogado Paulo Peressin, sócio do escritório Lefosse, essa alteração abriu caminho para um crescimento acelerado de processos. “Hoje, um ex-empregado pode ingressar com ação declarando que não tem condições de pagar. Se a empresa não comprovar o contrário, o risco é zero para o trabalhador”, afirma.
O juiz do Trabalho Rogério Neiva, ex-auxiliar da Vice-Presidência do TST, também relaciona a mudança à alta na judicialização. “A lógica é simples: o trabalhador não paga para entrar com a ação; se perder, também não paga. É um incentivo à litigância”, explica.
Tribunal vê impacto da pandemia
O TST, por outro lado, afirma que o aumento está mais relacionado ao fim da pandemia. Durante 2020 e 2021, houve queda nos processos devido às restrições sanitárias, o que teria represado a demanda. “Após esse biênio, o número retomou o patamar pré-pandemia”, informou a corte.
Ainda segundo o tribunal, o avanço do setor de serviços nas estatísticas acompanha o movimento do mercado de trabalho. Em 2024, esse segmento gerou 915,8 mil novas vagas formais, o maior saldo entre os setores econômicos.
Autodeclaração em debate
Atualmente, o acesso à Justiça gratuita na esfera trabalhista pode ser garantido por simples autodeclaração de insuficiência de recursos. A regra está em análise no STF, mas o julgamento foi suspenso por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Estudos mostram distorções no modelo: já houve casos de beneficiários da gratuidade possuírem veículos de luxo e rendas mensais superiores a R$ 30 mil. “A tendência é que o Supremo corrija excessos, mas a essência da decisão que facilitou o acesso à Justiça deve permanecer”, avalia Rogério Neiva.
Com esse cenário, a expectativa é que a Justiça do Trabalho encerre 2025 com volumes processuais próximos aos níveis pré-reforma, consolidando a retomada da judicialização trabalhista no Brasil.
Brasil
Professora reivindica criação do Pix na Justiça
Ação contra o Banco Central pede reconhecimento de autoria de sistema semelhante ao Pix e indenização de R$ 1 milhão por danos morais.

Uma disputa judicial envolvendo a autoria de um dos sistemas financeiros mais utilizados pelos brasileiros ganhou destaque nos últimos dias. A professora Anette Vernaschi Toppan ingressou com uma ação na 18ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF) solicitando o reconhecimento de sua participação na criação do modelo que teria servido de base para o Pix.
Na ação, a autora sustenta que desenvolveu o sistema denominado “Tá Pago”, que apresentaria características semelhantes às do atual modelo de pagamentos instantâneos adotado pelo Banco Central. Com base nessa alegação, ela solicita que a Justiça reconheça sua autoria intelectual e determine o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 1 milhão.
Segundo os argumentos apresentados no processo, a professora afirma que o Banco Central teria utilizado conceitos e funcionalidades de sua plataforma para a implementação do Pix, sistema que revolucionou as transações financeiras no Brasil desde o seu lançamento.
Por outro lado, o Banco Central contesta as alegações e nega qualquer irregularidade. A instituição afirma que já existiam tecnologias e ferramentas semelhantes ao sistema citado pela autora, destacando que o desenvolvimento do Pix ocorreu a partir de estudos, projetos e soluções amplamente debatidos no setor financeiro nacional e internacional.
O órgão também argumenta que não houve violação de direitos autorais e que as características apontadas na ação não seriam exclusivas do sistema apresentado pela professora. A defesa do Banco Central sustenta ainda que o Pix foi concebido dentro de critérios técnicos próprios e alinhados às necessidades do mercado financeiro brasileiro.
O caso agora será analisado pela Justiça Federal, que deverá avaliar os argumentos apresentados pelas partes, além da documentação técnica relacionada aos sistemas mencionados no processo. A decisão poderá esclarecer se existe ou não vínculo entre a plataforma alegada pela autora e o sistema oficial de pagamentos instantâneos utilizado atualmente por milhões de brasileiros.
A ação chama atenção por envolver um dos maiores avanços tecnológicos do sistema financeiro nacional e pode abrir um importante debate sobre propriedade intelectual, inovação e desenvolvimento de tecnologias voltadas ao setor bancário.
Brasil
Gilmar encaminha garantias para extradição de Zambelli
Justiça italiana analisará em julho novo pedido relacionado à condenação da ex-deputada por episódio ocorrido durante as eleições de 2022.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, encaminhou à Advocacia-Geral da União (AGU) as garantias exigidas pela Justiça italiana para dar continuidade à análise de um novo pedido de extradição envolvendo a ex-deputada federal Carla Zambelli.
O caso está relacionado à condenação da ex-parlamentar por um episódio ocorrido na véspera das eleições de 2022, quando ela protagonizou uma perseguição armada ao jornalista Luan Araújo em vias públicas da cidade de São Paulo. O episódio ganhou grande repercussão nacional e resultou em desdobramentos judiciais que seguem em andamento.
Com o envio das informações solicitadas pelas autoridades italianas, o processo avança para uma nova etapa. A expectativa é que a Justiça da Itália avalie os elementos apresentados e decida sobre o pedido durante julgamento previsto para o próximo dia 1º de julho.
A análise do caso pelas autoridades italianas é considerada um passo importante no processo internacional, já que envolve questões jurídicas relacionadas à cooperação entre os sistemas judiciais dos dois países e ao cumprimento de decisões judiciais.
O encaminhamento das garantias atende aos requisitos estabelecidos pela legislação italiana para a avaliação de pedidos de extradição. A decisão que será tomada pela Corte italiana poderá influenciar diretamente os próximos desdobramentos do processo.
Enquanto aguarda o julgamento, o caso continua atraindo atenção do meio político e jurídico, sobretudo por envolver uma figura pública e um episódio que teve ampla repercussão durante um dos períodos eleitorais mais polarizados da história recente do Brasil.
Brasil
BYD amplia benefício fiscal e reforça presença no mercado brasileiro
Montadora chinesa garante renovação de cotas para importação de kits de montagem e fortalece estratégia de expansão no país.

A montadora chinesa BYD conquistou a renovação, por mais seis meses, do benefício das cotas de importação que permite a entrada de kits destinados à montagem de veículos eletrificados com isenção do Imposto de Importação. A medida reforça a estratégia de crescimento da fabricante no mercado brasileiro e amplia sua competitividade no segmento de carros elétricos e híbridos.
A renovação do benefício ocorre em um momento de forte expansão da presença da empresa no Brasil, onde a marca vem registrando crescimento nas vendas e ampliando investimentos em produção, distribuição e infraestrutura voltada à mobilidade sustentável.
Segundo análises do setor automotivo, a política comercial adotada pela BYD tem provocado impactos significativos no mercado nacional, aumentando a concorrência e pressionando outras fabricantes a acelerarem seus planos de eletrificação. A estratégia agressiva da empresa também tem gerado debates entre representantes da indústria automotiva sobre as condições de competitividade no país.
Nos bastidores, a montadora tem mantido interlocução constante com órgãos do governo federal para discutir temas relacionados ao desenvolvimento da indústria de veículos eletrificados. O ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, é apontado como uma das figuras que auxiliam no diálogo institucional envolvendo projetos da empresa no Brasil.
A renovação das cotas representa mais um passo na consolidação da BYD como uma das principais protagonistas da transição para a mobilidade elétrica no país, ampliando sua capacidade de oferta e fortalecendo sua posição em um mercado cada vez mais competitivo.
O cenário reforça a importância do setor de veículos eletrificados na agenda industrial brasileira, impulsionando investimentos, geração de empregos e novas oportunidades para a cadeia produtiva automotiva.
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