Política
Deputada do PSOL quer impor cotas trans nas universidades públicas
Erika Hilton aciona o Conselho Nacional de Educação para regulamentar política identitária criticada por violar princípios de mérito e igualdade

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou, na sexta-feira (1º), um ofício junto ao Conselho Nacional de Educação (CNE) solicitando a regulamentação nacional de cotas para pessoas trans e travestis em universidades públicas. A proposta amplia o alcance de uma política que tem enfrentado resistência crescente no Judiciário e entre defensores da meritocracia no ensino superior.
A ação da parlamentar ocorre após uma decisão da Justiça Federal que anulou as cotas trans implementadas pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o que pode acarretar o cancelamento das matrículas feitas entre 2023 e 2025 com base nesse critério. A decisão foi vista por críticos como um passo para conter o avanço de medidas que priorizam identidade de gênero em detrimento do mérito acadêmico.
No ofício, Hilton pede que o CNE edite uma resolução normativa com diretrizes nacionais para a criação de cotas trans em universidades públicas. Ela também requer que o processo de elaboração seja participativo, com envolvimento de organizações sociais, e que haja uma articulação com os demais níveis de ensino sobre a pauta de diversidade de gênero.
Além disso, a deputada solicita que o Conselho publique, com urgência, uma nota técnica em defesa da FURG e das instituições que já adotaram cotas trans, para fundamentar juridicamente a continuidade dessas políticas. Segundo Hilton, 23 universidades públicas já aderiram a esse tipo de ação afirmativa.
A parlamentar justifica a proposta com o argumento de que apenas 0,3% da população trans e travesti acessa o ensino superior e que a expectativa de vida desse grupo é de apenas 35 anos. “Essa regulamentação é fundamental para garantir segurança jurídica, resguardar a autonomia universitária e consolidar o direito de pessoas trans à educação”, afirma Hilton.
A iniciativa, no entanto, acirra o debate nacional sobre políticas identitárias no ensino público. Críticos alegam que a medida fere o princípio da igualdade e desvaloriza o mérito como critério de acesso às universidades, podendo gerar mais divisões do que inclusão.
Política
Marcelino Galo defende Jerônimo após polêmica no 2 de Julho
Ex-deputado afirma que episódio durante cortejo foi provocado por adversária política e critica tentativa de transformar situação em agressão

O ex-deputado estadual Marcelino Galo (PT) saiu em defesa do governador Jerônimo Rodrigues após a repercussão de um episódio ocorrido durante o tradicional cortejo do 2 de Julho, em Salvador. Segundo o petista, a situação foi resultado de uma provocação política e não pode ser interpretada como um ato de agressão por parte do chefe do Executivo baiano.
Durante declaração à imprensa, Marcelino Galo afirmou que houve uma tentativa de distorcer os fatos para gerar desgaste político ao governador. De acordo com ele, a abordagem feita durante o evento foi planejada com o objetivo de provocar uma reação e, posteriormente, explorar o episódio no debate político.
“Ela abordou o governador, criou a provocação e depois tentaram vender a cena como se Jerônimo tivesse agredido alguém. Isso é método de quem não faz debate político limpo”, declarou o ex-parlamentar ao comentar a repercussão do caso.
Galo também afirmou que Cristiele Santos não participou do cortejo apenas como cidadã, mas na condição de adversária política do governo estadual. Segundo o ex-deputado, ela disputou uma eleição para vereadora pelo antigo Democratas, legenda que posteriormente integrou o União Brasil após fusão com o PSL.
Ainda conforme Marcelino Galo, Cristiele mantém ligação política com o ex-prefeito de Camaçari, Elinaldo Araújo, aliado do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Para o petista, esse contexto reforça a natureza política da abordagem realizada durante as comemorações da Independência da Bahia.
A declaração amplia o debate em torno do episódio registrado no cortejo do 2 de Julho, que reuniu autoridades, lideranças políticas e milhares de pessoas nas ruas de Salvador. O caso segue repercutindo entre representantes de diferentes grupos políticos, enquanto manifestações sobre o ocorrido continuam movimentando o cenário estadual.
Política
Lula pede campanha sem ataques no Ceará
Presidente orienta Elmano de Freitas a manter o nível do debate eleitoral durante disputa pela reeleição ao governo estadual

Durante agenda oficial no Ceará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo público ao governador Elmano de Freitas (PT) para que conduza a campanha à reeleição com foco em propostas e sem recorrer a ataques pessoais. A declaração foi feita em meio às articulações políticas para as eleições e ganhou repercussão no cenário nacional.
Em seu discurso, Lula afirmou que Elmano não deve fazer “jogo rasteiro” nem “abaixar o nível” durante a disputa eleitoral, reforçando a importância de preservar um ambiente de respeito e diálogo ao longo da campanha.
O governador cearense deve enfrentar nas urnas o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que se uniu ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma aliança política voltada à disputa pelo comando do Palácio da Abolição, sede do governo estadual.
A fala de Lula ocorre em um momento de intensificação das articulações eleitorais, com partidos consolidando alianças e definindo estratégias para a corrida ao governo do Ceará. O presidente destacou que o debate político deve priorizar projetos e ideias voltadas ao desenvolvimento do estado, evitando confrontos que possam elevar o tom da campanha.
A disputa pelo governo cearense é considerada uma das mais relevantes do cenário político nacional, reunindo lideranças de diferentes grupos e ampliando a expectativa em torno do processo eleitoral. A orientação de Lula busca reforçar a defesa de uma campanha pautada pelo respeito entre os candidatos, em meio ao aumento da movimentação política no estado.
Com o avanço do calendário eleitoral, a tendência é que os principais grupos políticos intensifiquem suas agendas e apresentem propostas para conquistar o eleitorado cearense, mantendo o Ceará como um dos estados de maior atenção nas eleições.
Política
PEC do fim da escala 6×1 deve ficar para depois de agosto
Tramitação no Senado avança lentamente e aliados do governo admitem que proposta só deverá ser votada após o recesso legislativo

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1 e propõe novas regras para a organização da carga horária dos trabalhadores brasileiros deverá ter sua votação adiada para depois do mês de agosto. A avaliação é de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que reconhecem a dificuldade de concluir a análise da matéria antes do recesso parlamentar.
Segundo interlocutores do governo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem demonstrado sinais considerados dúbios sobre a condução do debate da proposta, o que contribui para a expectativa de que a tramitação permaneça sem definição nas próximas semanas.
A previsão representa uma mudança em relação às expectativas iniciais do Palácio do Planalto, que esperava ver o tema avançar antes do início do recesso legislativo, marcado para 18 de julho. Com o novo cenário, a discussão deverá ser retomada somente após o retorno das atividades no Congresso Nacional.
A PEC é considerada estratégica por aliados do governo federal, que enxergam na proposta um tema de grande repercussão junto à população. A expectativa é que a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho possa ganhar destaque no cenário político e nas futuras agendas legislativas.
O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e, desde então, aguarda andamento no Senado Federal. Até o momento, a proposta ainda não avançou para novas etapas de tramitação na Casa.
Caso seja analisada pelos senadores, a PEC seguirá os procedimentos previstos para alterações constitucionais, incluindo debates, votações e quórum qualificado para eventual aprovação. Enquanto isso, trabalhadores, empregadores e representantes de diferentes setores acompanham os desdobramentos da proposta, que pode provocar mudanças significativas nas relações de trabalho no país.
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