Política
Estados registram caixa recorde em ano eleitoral e elevam gastos
Saldos elevados permitem incremento de obras e benefícios em 2026, mas especialistas alertam para risco fiscal

Os governos estaduais encerraram o primeiro semestre deste ano com saldo em caixa histórico, abrindo espaço para ampliação de gastos, investimentos e benefícios em ano eleitoral. Relatórios apontam que recursos acumulados podem ultrapassar bilhões de reais, mesmo diante da pressão fiscal para manter o equilíbrio das contas públicas.
Enquanto algumas unidades federativas já anunciam maiores obras de infraestrutura, concursos e concessões de isenções fiscais, especialistas em finanças públicas advertiram que esse comportamento pode ser insustentável a médio prazo. A elevação do caixa foi impulsionada por receitas extraordinárias, como inflação elevada e aumento da arrecadação de impostos, mas não necessariamente por ajustes permanentes de eficiência.
Além disso, o cenário eleitoral torna a situação mais delicada: a tendência é que os estados aproveitem a folga orçamentária para elevar o volume de investimentos visíveis à população, incluindo políticas de “entrega” de obras e programas sociais, com o objetivo de gerar impacto antes das eleições. Por outro lado, esse tipo de manobra pode engessar as finanças futuras e comprometer a meta de superávit ou o cumprimento das regras de responsabilidade fiscal.
Analistas apontam dois fatores chave: primeiro, a necessidade de distinguir entre receitas estruturais e temporárias — muitas vezes o caixa elevado provém de ganhos pontuais e não sustentáveis. Segundo, a importância de direcionar os recursos para investimentos e qualidade de serviços em vez de simplesmente ampliar despesas correntes, que elevam o custo fixo dos governos. Um uso prudente do momento de recursos abundantes pode fortalecer o patrimônio público, mas a utilização voltada apenas para consumo eleitoral pode gerar problema nos exercícios seguintes.
Diante disso, a advertência principal é que embora o cenário atual permita expansão, ele exige gestão responsável — caso contrário, os estados podem experimentar no médio prazo pressões por ajuste, cortes de gastos ou restrições em empréstimos e transferências. Em um ano de decisão política intensa, a forma como os estados utilizarem esse “bom momento” financeiro pode definir não apenas resultados eleitorais, mas também trajetória fiscal dos próximos anos.
Política
Advogados do milionário Fauci criam fundo para pagar defesa dele
Iniciativa busca financiar a defesa do médico diante de investigações e denúncias relacionadas à atuação durante a pandemia de Covid-19

Os advogados do médico Anthony Fauci, que coordenou a resposta nacional dos Estados Unidos à pandemia de Covid-19, criaram um fundo para arrecadar dinheiro para custear a defesa dele, em meio a uma série de denúncias e investigações contra o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês).
A iniciativa possui um site, por meio do qual apoiadores de Fauci podem fazer doações. Eventuais excedentes após a conclusão de todas as investigações serão doados para instituições de caridade, afirmaram os advogados.
“Fauci enfrenta uma ofensiva jurídica sem precedentes para um servidor público aposentado, e ele merece uma defesa sólida contra essas ações infundadas e temerárias”, disse David Schertler, um dos advogados de Fauci, à agência Reuters.
“O doutor Fauci não fez nada de errado, e estamos preparados para combater esse assédio vergonhoso contra um homem honrado que dedicou sua carreira a salvar vidas”, acrescentou.
Segundo a emissora Fox News, antes de se aposentar, Fauci era o servidor mais bem pago do governo federal dos EUA, com remuneração de quase US$ 500 mil por ano, e atualmente recebe uma pensão federal que se equipara ao salário de presidente. Ele e sua esposa declararam um patrimônio líquido conjunto de US$ 12,6 milhões em 2021.
Diretor do Niaid entre 1984 e 2022, Fauci é acusado pelos republicanos de ter escondido informações sobre a origem da Covid-19 e ter errado na condução da resposta à pandemia.
No final da sua gestão, o presidente democrata Joe Biden (2021-2025) concedeu um perdão presidencial preventivo a Fauci contra eventuais acusações federais por questões relativas à pandemia, mas ele ainda pode ser alvo de processos judiciais nos estados.
Os procuradores-gerais da Flórida, da Virgínia Ocidental e da Louisiana anunciaram recentemente investigações para apurar se Fauci se beneficiou irregularmente da exposição na mídia que obteve durante a pandemia.
Além disso, depois dele ter se recusado a responder a perguntas de senadores americanos em audiência no final de julho, um comitê do Senado declarou Fauci em desacato e encaminhou o caso para o Departamento de Justiça (DOJ).
Política
Janja repudia fala de Renan Santos
Primeira-dama classificou declaração feita durante debate presidencial como ataque pessoal e misógino

A primeira-dama Janja Lula da Silva repudiou, nesta segunda-feira (24), uma declaração feita pelo candidato à Presidência Renan Santos (Missão) durante o primeiro debate presidencial das eleições de 2026.
Em nota encaminhada à Band, emissora responsável pela transmissão do debate realizado na noite de domingo (23), Janja classificou a manifestação como um “ataque pessoal e misógino”.
Declaração ocorreu durante debate
A manifestação de Renan Santos ocorreu enquanto o candidato comentava a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro debate presidencial.
Após o episódio, a primeira-dama decidiu se manifestar publicamente e encaminhou o comunicado à emissora que promoveu o encontro entre os candidatos.
O debate marcou um dos primeiros momentos de confronto direto entre os postulantes à Presidência da República nas eleições de 2026. A ausência de Lula foi mencionada durante a programação, enquanto o presidente participou de uma entrevista exibida pela televisão no mesmo horário.
A declaração envolvendo Janja repercutiu no cenário político nesta segunda-feira e passou a integrar as discussões sobre o debate e a campanha presidencial.
Política
Erika Hilton desafia Flávio Bolsonaro para debate sobre escala 6×1
Deputada do PSOL fez convite público ao senador após reportagem apontar articulação de aliados contra o avanço da proposta no Senado

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) desafiou o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) para um debate público sobre a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
O convite foi publicado pela parlamentar nas redes sociais após uma reportagem do jornal O Globo apontar uma articulação de aliados do senador no Senado para tentar adiar a votação da proposta.
Convite foi feito pelas redes sociais
Na publicação, Erika Hilton direcionou o desafio diretamente a Flávio Bolsonaro e defendeu uma discussão pública sobre a proposta que pretende alterar o atual modelo de jornada de trabalho.
“Venho, por meio deste, desafiá-lo a um debate público, 1×1, sobre a proposta e sobre essa escala desumana”, escreveu a deputada.
A PEC do fim da escala 6×1 prevê mudanças na organização da jornada de trabalho e tem provocado debates entre parlamentares, setores da sociedade e representantes do mercado de trabalho.
O tema ganhou força no Congresso Nacional e passou a integrar as discussões sobre redução da jornada, condições de trabalho e direitos dos trabalhadores.
Até o momento, o episódio se concentra no convite feito publicamente por Erika Hilton e nas discussões políticas em torno da tramitação da proposta.
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