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Política

Com Bolsonaro fragilizado, Tarcísio pode crescer — se souber jogar

Afastamento do ex-presidente abre espaço estratégico para Tarcísio de Freitas avançar como nome da direita, mas movimento exige cálculo político e distanciamento sutil do bolsonarismo radical

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Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas / Crédito: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

A imposição de tornozeleira eletrônica a Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes nesta sexta-feira (18), representa mais que um novo capítulo na crise política envolvendo o ex-presidente. O episódio marca, também, uma possível guinada no xadrez da sucessão presidencial de 2026.

Quem pode sair ganhando com a queda de Bolsonaro é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado em pesquisas recentes como o nome da direita mais competitivo contra Lula, com quem aparece em empate técnico. Mas para que essa janela se abra, Tarcísio precisará de habilidade cirúrgica para se afastar do peso da família Bolsonaro sem perder o apoio da base conservadora.

A família Bolsonaro, especialmente por suas ações erráticas e pela insistência em protagonizar conflitos institucionais, se tornou um entrave à expansão política de Tarcísio, que tenta se posicionar como um “gestor técnico” e não como um ideólogo. Hoje, o ex-presidente é visto até por aliados do Centrão como um problema, e não mais como um ativo político.

Por outro lado, Tarcísio ainda deve um gesto público de solidariedade a Bolsonaro, considerado seu mentor político. Mas esse movimento precisa ser calculado: se for tímido demais, será atacado pelo bolsonarismo raiz, ainda liderado à distância por Eduardo Bolsonaro; se for exagerado, pode perder apoio do mercado, do centro político e de setores produtivos — fundamentais para viabilizar qualquer candidatura presidencial.

A situação se agravou com os novos elementos revelados pela Polícia Federal. A PF apurou que Bolsonaro incentivou articulações com Donald Trump para impor sanções ao Brasil, numa tentativa de pressionar o Judiciário brasileiro a aprovar anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado. A investigação revelou que Bolsonaro enviou R$ 2 milhões a Eduardo Bolsonaro para permanecer nos EUA e atuar diretamente nesse lobby.

Em depoimento recente, o próprio ex-presidente confirmou a remessa de recursos ao filho, o que, segundo a PF, reforça a tese de obstrução de Justiça e coação no curso do processo. A consequência direta foi a imposição de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira, restrição de uso de redes sociais e proibição de contato com diplomatas e embaixadas.

Enquanto a imagem de Bolsonaro se desgasta, o governo Lula tenta colar em Tarcísio o rótulo de continuidade do radicalismo. Mas o governador de São Paulo tem cartas para fugir desse enquadramento: foi diretor do DNIT no governo Dilma Rousseff, é reconhecido como técnico e tem discurso moderado, o que pode agradar ao eleitorado de centro.

O desafio será convencer a base bolsonarista de que, sem Bolsonaro competitivo, Tarcísio é a única ponte entre o conservadorismo e a viabilidade eleitoral. Isso exigirá, além de racionalidade, um movimento ousado: abraçar o sistema sem parecer parte dele — algo que Bolsonaro jamais aceitou fazer.

Caso falhe, o cenário mais provável é a recondução de Lula ao Planalto, e o fechamento definitivo das portas para a direita nos próximos anos. Mas se conseguir equilibrar os afetos da base com a razão política, Tarcísio pode emergir como o novo nome forte da direita brasileira.

Redação Saiba+

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Política

Marcelino Galo defende Jerônimo após polêmica no 2 de Julho

Ex-deputado afirma que episódio durante cortejo foi provocado por adversária política e critica tentativa de transformar situação em agressão

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O ex-deputado estadual Marcelino Galo (PT) saiu em defesa do governador Jerônimo Rodrigues após a repercussão de um episódio ocorrido durante o tradicional cortejo do 2 de Julho, em Salvador. Segundo o petista, a situação foi resultado de uma provocação política e não pode ser interpretada como um ato de agressão por parte do chefe do Executivo baiano.

Durante declaração à imprensa, Marcelino Galo afirmou que houve uma tentativa de distorcer os fatos para gerar desgaste político ao governador. De acordo com ele, a abordagem feita durante o evento foi planejada com o objetivo de provocar uma reação e, posteriormente, explorar o episódio no debate político.

“Ela abordou o governador, criou a provocação e depois tentaram vender a cena como se Jerônimo tivesse agredido alguém. Isso é método de quem não faz debate político limpo”, declarou o ex-parlamentar ao comentar a repercussão do caso.

Galo também afirmou que Cristiele Santos não participou do cortejo apenas como cidadã, mas na condição de adversária política do governo estadual. Segundo o ex-deputado, ela disputou uma eleição para vereadora pelo antigo Democratas, legenda que posteriormente integrou o União Brasil após fusão com o PSL.

Ainda conforme Marcelino Galo, Cristiele mantém ligação política com o ex-prefeito de Camaçari, Elinaldo Araújo, aliado do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Para o petista, esse contexto reforça a natureza política da abordagem realizada durante as comemorações da Independência da Bahia.

A declaração amplia o debate em torno do episódio registrado no cortejo do 2 de Julho, que reuniu autoridades, lideranças políticas e milhares de pessoas nas ruas de Salvador. O caso segue repercutindo entre representantes de diferentes grupos políticos, enquanto manifestações sobre o ocorrido continuam movimentando o cenário estadual.

Redação Saiba+

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Política

Lula pede campanha sem ataques no Ceará

Presidente orienta Elmano de Freitas a manter o nível do debate eleitoral durante disputa pela reeleição ao governo estadual

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Durante agenda oficial no Ceará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo público ao governador Elmano de Freitas (PT) para que conduza a campanha à reeleição com foco em propostas e sem recorrer a ataques pessoais. A declaração foi feita em meio às articulações políticas para as eleições e ganhou repercussão no cenário nacional.

Em seu discurso, Lula afirmou que Elmano não deve fazer “jogo rasteiro” nem “abaixar o nível” durante a disputa eleitoral, reforçando a importância de preservar um ambiente de respeito e diálogo ao longo da campanha.

O governador cearense deve enfrentar nas urnas o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que se uniu ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma aliança política voltada à disputa pelo comando do Palácio da Abolição, sede do governo estadual.

A fala de Lula ocorre em um momento de intensificação das articulações eleitorais, com partidos consolidando alianças e definindo estratégias para a corrida ao governo do Ceará. O presidente destacou que o debate político deve priorizar projetos e ideias voltadas ao desenvolvimento do estado, evitando confrontos que possam elevar o tom da campanha.

A disputa pelo governo cearense é considerada uma das mais relevantes do cenário político nacional, reunindo lideranças de diferentes grupos e ampliando a expectativa em torno do processo eleitoral. A orientação de Lula busca reforçar a defesa de uma campanha pautada pelo respeito entre os candidatos, em meio ao aumento da movimentação política no estado.

Com o avanço do calendário eleitoral, a tendência é que os principais grupos políticos intensifiquem suas agendas e apresentem propostas para conquistar o eleitorado cearense, mantendo o Ceará como um dos estados de maior atenção nas eleições.

Redação Saiba+

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Política

PEC do fim da escala 6×1 deve ficar para depois de agosto

Tramitação no Senado avança lentamente e aliados do governo admitem que proposta só deverá ser votada após o recesso legislativo

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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1 e propõe novas regras para a organização da carga horária dos trabalhadores brasileiros deverá ter sua votação adiada para depois do mês de agosto. A avaliação é de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que reconhecem a dificuldade de concluir a análise da matéria antes do recesso parlamentar.

Segundo interlocutores do governo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem demonstrado sinais considerados dúbios sobre a condução do debate da proposta, o que contribui para a expectativa de que a tramitação permaneça sem definição nas próximas semanas.

A previsão representa uma mudança em relação às expectativas iniciais do Palácio do Planalto, que esperava ver o tema avançar antes do início do recesso legislativo, marcado para 18 de julho. Com o novo cenário, a discussão deverá ser retomada somente após o retorno das atividades no Congresso Nacional.

A PEC é considerada estratégica por aliados do governo federal, que enxergam na proposta um tema de grande repercussão junto à população. A expectativa é que a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho possa ganhar destaque no cenário político e nas futuras agendas legislativas.

O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 27 de maio e, desde então, aguarda andamento no Senado Federal. Até o momento, a proposta ainda não avançou para novas etapas de tramitação na Casa.

Caso seja analisada pelos senadores, a PEC seguirá os procedimentos previstos para alterações constitucionais, incluindo debates, votações e quórum qualificado para eventual aprovação. Enquanto isso, trabalhadores, empregadores e representantes de diferentes setores acompanham os desdobramentos da proposta, que pode provocar mudanças significativas nas relações de trabalho no país.

Redação Saiba+

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